quarta-feira, 25 de março de 2015

Sou oficialmente uma chata

Domino a arte de irritar as pessoas e normalmente sou muito crítica em minhas opiniões. As pessoas não gostam de ouvir criticas, querem ouvir coisas boas e divertidas a respeito de tudo o que fazem e/ou deixam de fazer. Por isso sou considerada chata quando me posiciono frente a determinada questão. 
 Não gosto de todos os lugares e nem de todas as músicas. Os meus amigos chamam isso de chatice, eu chamo de seletividade ambiental e musicalista. Costumo ser mandona. As coisas tem que ser do meu jeito ou não tem jeito. Gosto de contestar opiniões sobre o mundo e as coisas e defendo os meus argumentos até o fim. Dificilmente alguém me convence do contrario. A parte ruim da coisa é que sou tida como “a do contra, a teimosa e cabeça dura”. O lado bom é que se eu estou errada, alguém vai me convencer disso. Resta saber se a pessoa vai ter paciência de chegar a tal fato.
Não consigo disfarçar meu humor. Se eu gosto ou não de alguém ou de alguma coisa, minha expressão irá me entregar facilmente. Uns chamam isso de honestidade e transparência, outros chamam de chatice. Vai saber o que é, né?! Talvez uma pitada de cada.
Tem dias que amo sair de casa, ver pessoas, conversar com estranhos, pegar sol, ir para aquele barzinho bacana à noite, rir muito. No entanto, na maioria das vezes eu prefiro um programa caseiro, ler um livro, assistir um drama, ou somente jogar conversa fora com meus amigos. Junta a chatice de todo mundo e é diversão garantida. Esses são os melhores momentos pra mim.
E agora, finalizando essa breve reflexão, me dou conta que gosto de ser chata. Gosto mesmo. Isso faz parte de quem eu sou, do meu eu. E ai que eu descubro que quero continuar a ser chata. Não quero viver uma vida onde eu tenha que agradar a todos, ser simpática, legal e delicada. Aqueles que são meus amigos vão continuar gostando de mim, mesmo sabendo que eu sou aquela que nem sempre vai querer ir para prévia de carnaval ou nem sempre está disposta a enfrentar um rodízio de pizza (quase nunca). Mas amigos são assim. Sempre haverá outros dias, e outros lugares, e outros sorrisos.

Parafraseando Mario Quintana “Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e os amigos, que são os nossos chatos prediletos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Balada de um amor inabalável

O sol que entrava pela janela a fez piscar. Que bela dor de cabeça estava sentido. Será que tudo aquilo tinha sido um sonho ou ela realmente fez o que fez? Olhou ao redor e se deu conta que estava de volta ao seu antigo apartamento. Então de fato ela estava no Brasil. Tentou se levantar, mas a dor de cabeça não permitiu. Pensou: ‘Ok, vamos lá, lembranças de ontem... Vinho, vinho, cartas, mais vinho. Oh não, não. Eu não fui a casa dele, fui?’
O celular vibrou na cabeceira ao lado com  uma música estridentemente animada. Isso a fez ter vontade de quebra-lo. Olhou o visor: Número desconhecido. Com o mau humor de uma noite de porre, atendeu: “Alô?”.
A voz do outro lado era familiar e parecia bastante zangada: “Porra Bárbara, que diabos foi aquilo?”.
E isso instantaneamente fez sua dor de cabeça se elevar em uns 10 graus. Ela se levantou e lentamente procurou por algum remédio para dor de cabeça na sua bolsa.
“Fernando? Como você conseguiu meu número?” perguntou enquanto tomava o remédio e se deitava novamente.
“Isso não importa. Tenho meus contatos. Eu só quero entender o que aconteceu ontem. Do nada você aparece na minha porta, sem avisar, anos depois de simplesmente me mandar ir pro inferno. E eu tenho que te informar que eu fui mesmo”.
“Foram 3 anos” disse ela calmamente.
“3 anos” ele ri sem achar muita graça. “Por que apareceu agora?”
“Eu não sei. Eu só estava aqui ontem, bebendo vinho, e fui ler as cartas que você me mandava, daí tudo que me lembro vagamente é de estar na frente de sua casa, com você parado olhando pra mim com aquela expressão que ainda me assusta.”
“Depois de tanto tempo sem atender minhas ligações, sem mandar carta ou responder uma mensagem. O que você esperava?”
“Eu não sei, eu não pensei muito no caso” disse ela confusa.
Ele suspira. “Quando você chegou?”
“Ontem mesmo. Olha, eu não queria ter feito isso, me desculpa. Não vai voltar a acontecer. Eu vou viajar novamente na semana que vem, me desculpa... ”
“Espera, então vai ser assim de novo? Você vai fugir com medo de mim sem dar explicações?”
“Não é de você que eu tinha medo. Era do que eu sentia por você. Eu sei que faz muito tempo, sei que não tem mais como voltar. Mas saiba que eu nunca esqueci você. Eu tentei, Deus é prova de que eu tentei, mas não deu. Por isso voltei, por isso resolvi dar minha cara a tapa e ir te procurar. E que bela tapa que eu levei ne?!”
“E que motivos você teria para ter medo do sentimento que tinha por mim?”
“Eu não sei, achava que se ficasse aqui ia me acomodar. Você me conhece, eu sempre tive sonho de fazer doutorado fora, e ficar aqui ia ser muito pouco pra mim. Eu não podia te obrigar a me esperar todo esse tempo.”
“Isso explica muita coisa. Mas teria sido melhor te esperar do que viver o inferno que eu vivi.”
“Mas você superou. Isso que importa. Agora eu vou te deixar seguir sua vida. Achei que, sei lá, por um momento achei que talvez pudesse ser como antes. Mas foi loucura, eu tinha bebido, me desculpa, sei que agora tudo mudou, tem outros planos. Enfim, se cuida”.
“Espera, do que você esta falando?”
“De tudo, de tantos anos sem contato, de pessoas que conhecemos nesse tempo. Da vida que construímos um longe do outro. Foi um erro, eu sei. E não tem mais volta”.
Ele permanece calado por um tempo e solta um longo suspiro.
“Olha, eu não devia ter feito isso, aparecido do nada, me desculpa de verda...”
Antes que ela terminasse de falar, ele pergunta: “Vamos tomar um chocolate quente e conversar sobre isso pessoalmente?”
Isso a pegou de surpresa, mas não teve como rejeitar. Foi como se borboletas brotassem no seu estomago. Aquela sensação de ansiedade que há tempos não sentia voltou e isso a fez sorrir largamente. E um fio de esperança surgiu...
“Claro”.
“Certo, no lugar de sempre. Passo ai as 18:00. Tchau”.
“Tchau”.
Então é isso. Eles iriam se ver, e dessa vez ela não iria fugir. Ela não deixaria o medo tomar conta da situação. Talvez até pudesse falar de como havia sido esses últimos anos. De como ele fez falta. Como o sorriso dele te dava forças todo esse tempo e fez com que ela não desistisse. Como sonhar com ele toda noite era o que a fazia sair da cama todo dia e se sentir viva. E de como havia voltado por ele e para ele.
O dia passou tão devagar, era como se as horas se arrastassem. O nervosismo e a ansiedade eram típicos de uma adolescente apaixonada. Era assim que sempre se sentia quando o assunto era Ele. A verdade era que ela mal podia esperar para revê-lo. Ainda não sabia o que falar, não queria assusta-lo, mas sentia tanta falta dele. Queria poder voltar no tempo e ter feito às coisas diferentes. Mas era muito nova e insegura. Agora sabe que o que fez foi de fato errado. E estava de volta para concertar.
As 18:00 horas estava pronta. Provou todas as roupas que tinha, não estava mais acostumada a encontros. Ele havia sido o único cara com quem namorou. Como sempre pontual, ele tocou a campainha na hora marcada. Quando ela abriu a porta, lá estava ele. Exatamente como ela lembrava.  E aquele cheiro familiar invadiu os seus sentidos. E ela sorriu.
“Nossa, você está linda”. Disse ele.
“Acho que a impressão que te dei ontem não foi das melhores” Ela riu sem graça. “Ainda usa o mesmo perfume?” – Perguntou.
“Você sabe, me apego às coisas” Sorriu. “Vamos?”
“Claro”
E saíram. O caminho era muito familiar. Tudo ali era familiar. O cheiro, as ruas, o sentimento. Não sabia como conseguiu ficar esse tempo todo longe. Mas voltou para ficar.
“Chegamos. O bom e velho chocolate da Nancy. Aposto que lá na Espanha você não tinha um desses”. Ele disse, divertido,
“Realmente, ninguém consegue superar a Nancy, você sabe... Voltei por ela” E os dois riram.
Caminharam até uma mesa mais afastada, no ambiente estava tocando sucessos da banda Skank, e aquele cheiro de chocolate com canela fez sua boca salivar. Só para matar a saudade, pediram a especialidade da casa. Ao sentarem, ela o encarou, tomando coragem para falar.
“Olha, eu sei que demorei muito pra voltar...”
“Fico feliz que você tenha volta...” – Falaram ao mesmo tempo. E riram.
“Me deixa começar” – ela pediu. “Tenho muita coisa pra falar. E se eu não falar logo, posso não lembrar de tudo. Eu sei que eu fui uma imatura, que não pensei em nos quando tomei a decisão de ir embora. Eu sei o que você passou, pois toda noite eu chorava pensando em você. Mas foi sonhar com você todo dia que me deu forças para continuar lá. Eu sei que eu arrisquei muito em ter feito isso, sumido. Mas era a única maneira que eu via de conseguir me manter lá. E eu sei que passou muito tempo, mas eu voltei por isso. Por você, pois nos. Sei que pode ser tarde, mas eu precisava arriscar” – Falou de uma vez.
“Olha Babi, eu sofri como um condenado aqui. E eu estava começado a superar agora. Eu realmente não esperava te encontrar na minha porta ontem. E sem me avisar. Eu não soube como reagir. Tentei te odiar esse tempo todo, mas não consegui. Quando eu te vi ontem, só pensei em como eu sofri, no que você fez comigo. Nas noites mal dormidas. Foi como se tudo tivesse voltado ontem. Me desculpa por ter agido daquele jeito. Eu não queria ter te mandado embora daquele jeito. Eu só não sabia o que fazer. Eu te esperei esse tempo todo, inconscientemente. Não conseguia me apegar com ninguém, te comparava com as garotas que eu te conhecia. Foram tempos difíceis, não é como se eu conseguisse apagar, entende? Por isso reagi tão mal ontem. Mas peço desculpas pela maneira que falei contigo.” Disse, enquanto encarava suas mãos.
“Eu sei e te entendo. Só não me peça para não tentar concertar tudo isso.” – disse, com os olhos marejados, enquanto evitava olhar nos olhos dele. Encarava apenas a sua caneca de chocolate quente.
“Eu não pediria isso, pois estaria me enganando também” – Ele a encarou sério. E ela sentiu uma chama se reacendendo em seu peito. Sabia que seria difícil. Mas também sabia que valeria a pena.
“Não vou propor que passemos uma borracha e comecemos do zero. Pois cada momento que eu vivi com você me fez ser a pessoa que sou hoje. Só peço que me deixe ganhar espaço novamente” – Pediu ela.
“Espaço esse que você nunca perdeu. Sempre foi você Barbara.” – Afirmou ele enquanto se levantava e ia até o seu lado. Pegou a mão dela para que se levantasse, e a beijou ali mesmo, um beijo de saudade e muito sentimento envolvido. Um beijo ao som de ‘Balada de um amor inabalável’”. E nada a fez mais feliz como aquele momento.

“Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim. Toque a balada, seja antes ou depois, eterna Love Song de nós dois. Leva essa canção de amor dançante, pra você lembrar de mim, seu coração lembrar de mim”



Fique com alguém que não tenha dúvidas

Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente se engana. A gente tenta encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. A gente clama ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. A gente quer, e a gente bate o pé e faz pirraça feito criança para conseguir. Mas um dia a gente percebe que amor tem que ser uma via de mão dupla. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é luta é ego. Amor que rebaixa é dor. E então a gente aprende que amor que não é amor, não encaixa, não orna, não serve. Fique com alguém que não tenha conversa mole. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não bote barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fique com alguém que saiba o que quer e que queira agora. Fique com alguém que te assuma. Que ande com orgulho ao seu lado. Que te apresente aos pais, aos amigos, ao chefe, ao faxineiro da firma. Que segure a sua mão ao andar na rua. Que não tenha medo de te olhar apaixonadamente na frente dos outros. Fique com alguém que não se importe com os outros. Fique com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fique com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa. Fique com alguém que não tenha traumas. Que não tenha assuntos mal resolvidos. Que saiba que para ser feliz, tem que deixar o passado passar. Fique com alguém que só tenha interesse no futuro e que queira esse futuro com você. Fique com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o seu refúgio em dias caóticos. Fique com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais. Fique com alguém que te transborde. Que te faça sentir que você vai explodir de tanto amor. Que te faça sentir a pessoa mais especial do universo. Fique com alguém que dê sentido à todos os clichês apaixonados. Fique com alguém que faça planos. Que veja um futuro ao seu lado. Que te carregue para onde for. Que planeje com você um casamento na praia, uma casa no campo e um labrador no quintal. Fique com alguém que apesar de saber que consegue viver sem você, escolhe viver com você. Fique com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fique com alguém cujas palavras complementam suas ações. Fique com alguém que te admire. Que te impulsiona pra frente. Que te apoie quando ninguém mais acreditar em você. Que te ajude a transformar sonhos em realidade. Fique com alguém que acredite que você é capaz de tudo aquilo que queira. Fique com alguém que você não precise convencer de que você vale a pena. Que não tenha dúvidas. Fique com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que é você e só você. Fique com alguém que te faça olhar para trás e agradecer por não ter dado certo com ninguém antes. Fique com alguém que faça não existir mais ninguém depois.

Fonte: Escrito por Marina Barbieri via Deu ruim