quarta-feira, 6 de julho de 2016

A crise do 20 e tantos anos

Aos vinte e poucos anos percebemos que paramos de sair tanto com os amigos e começamos a perceber muitas coisas sobre nós que até então não sabíamos. Entramos em uma fase chamada a crise de ¼ da vida. Começamos a nos sentir inseguros, a duvidar de nossas capacidades. Já não sabemos onde vamos estar daqui a alguns anos. Começamos a notar que os amigos que cultivamos na adolescência já não são mais tão amigos assim, cada um seguiu seu rumo, alguns casaram, tiveram filhos, outros foram embora e você sequer tem mais notícias.  Começamos a sentir saudades do tempo da escola, onde nossa única preocupação era com aquela prova difícil de matemática, ou se aquela pessoa especial iria para aula naquele dia. Percebemos que sentimos falta de coisas simples, como dormir na casa de amigas numa noite de pijamas, ou de passar horas no telefone com aquela amiga/irmã. Notamos que a perda de contato com algumas pessoas importantes fazem falta. Olhamos para nossa vida, carreira... E nem de perto parece com aquela que havíamos imaginado. Eram tempos de sonhar, de pensar grande, de arriscar muito. No entanto a vida de adulto se mostra assustadora. Percebemos que nossas opiniões se tornaram mais fortes, que já não nos importamos tanto com o julgamento dos outros. Que a lista de coisas aceitáveis em nossa vida se tornou bem maior do que o que havíamos imaginava. Notamos que há um movimento inconstante de segurança/insegurança em nossas decisões. Rimos e choramos com maior força. Queremos mudar, no entanto a mudança se torna algo que nos assusta, tentamos nos agarrar ao passado, com aquela vida boa, mas logo percebemos que ela está longe demais para ser alcançada. Não há nada para fazer a não ser seguir em frente. Temos nosso coração quebrado constantemente por pessoas que amávamos, e nos perguntamos como alguém pode nos causar tanto estrago. Nessa idade dos 20 e poucos alguns comportamentos se tornam patéticos. Temos medo de arriscar, por que lidar com erros e fracassos nessa altura da vida já não é mais tão simples. Vivemos podados pelas regras da sociedade. As pessoas esperam que a gente termine a universidade, arrume um bom emprego, case, tenha filhos... No entanto, tudo o que queremos é poder fazer as coisas que fazíamos antes, sem nos preocupar tanto com o amanhã. Só temos uma vida. Devemos sonhar. Arriscar. Viver de modo a ser feliz.



Parafraseando Clarice Lispector: “Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz”.

sábado, 2 de julho de 2016

A GERAÇÃO DE MULHERES INAMORÁVEIS!


Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoraveis, e eu sou uma delas”…Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por que? A observei enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens… Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la… Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e comprimento todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pró morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança
E na minha cabeça só ecoava: inamorável.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar no assunto… Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário. Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse: – Olhe ao seu redor, estamos já a um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar. Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos, realmente não fazemos parte disso, entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos, somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe, ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes. Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está redor enquanto procuram alguém no tinder. E eu me importo? Não mais. Sou inamoravel por que não me importo com nada disso.. Nenhum desse status, não ,e importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos beatles por que é importante para ela mesmo eu detestando a banda. Por que eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoraveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela.

Texto de: Akasha Licourt