
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Cometa bobagens

sábado, 8 de outubro de 2011
Enquanto isso, na biblioteca...

quinta-feira, 21 de julho de 2011
Martha Medeiros

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
Arnaldo Jabor

segunda-feira, 30 de maio de 2011
Uma verdade inventada

Era apenas mais uma das noites chuvosas. Eu estava só, com meus desvaneios e minha fértil imaginação. Criar historia era meu passatempo favorito, principalmente quando não tinha nada pra fazer e eu me encontrava sozinha em casa, numa noite chuvosa.
Não há nada melhor do que poder viajar apenas com a imaginação. Ser levada para outros lugares, outras épocas, e tornar tudo aquilo que é um sonho, em uma momentânea realidade imaginária.
Oras, ao menos uma vez ao dia, devemos criar uma fantasia na qual nos permitimos nos liberar de todos os compromissos e obrigações e nos dedicarmos somente a nos mesmos e a realização de nossos desejos.
Acredito que mesmo inconscientemente, todo mundo já fez isso alguma vez na vida. Ou seria eu, a única que, não podendo viver, crio uma realidade inventada?
Apelidos como “cabeça de vento” e afins, são o que mais recebemos por isso, mas quem se importa com os outros, não é mesmo?! “Deixe que digam, que pensem, que falem...”
Quero mesmo é me libertar das limitações, poder viajar nos pensamentos, inventar historias, criar dimensões fictícias...
Quero criar minha própria verdade, ou como diria Clarice Lispector, “não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.”

