quarta-feira, 6 de julho de 2016

A crise do 20 e tantos anos

Aos vinte e poucos anos percebemos que paramos de sair tanto com os amigos e começamos a perceber muitas coisas sobre nós que até então não sabíamos. Entramos em uma fase chamada a crise de ¼ da vida. Começamos a nos sentir inseguros, a duvidar de nossas capacidades. Já não sabemos onde vamos estar daqui a alguns anos. Começamos a notar que os amigos que cultivamos na adolescência já não são mais tão amigos assim, cada um seguiu seu rumo, alguns casaram, tiveram filhos, outros foram embora e você sequer tem mais notícias.  Começamos a sentir saudades do tempo da escola, onde nossa única preocupação era com aquela prova difícil de matemática, ou se aquela pessoa especial iria para aula naquele dia. Percebemos que sentimos falta de coisas simples, como dormir na casa de amigas numa noite de pijamas, ou de passar horas no telefone com aquela amiga/irmã. Notamos que a perda de contato com algumas pessoas importantes fazem falta. Olhamos para nossa vida, carreira... E nem de perto parece com aquela que havíamos imaginado. Eram tempos de sonhar, de pensar grande, de arriscar muito. No entanto a vida de adulto se mostra assustadora. Percebemos que nossas opiniões se tornaram mais fortes, que já não nos importamos tanto com o julgamento dos outros. Que a lista de coisas aceitáveis em nossa vida se tornou bem maior do que o que havíamos imaginava. Notamos que há um movimento inconstante de segurança/insegurança em nossas decisões. Rimos e choramos com maior força. Queremos mudar, no entanto a mudança se torna algo que nos assusta, tentamos nos agarrar ao passado, com aquela vida boa, mas logo percebemos que ela está longe demais para ser alcançada. Não há nada para fazer a não ser seguir em frente. Temos nosso coração quebrado constantemente por pessoas que amávamos, e nos perguntamos como alguém pode nos causar tanto estrago. Nessa idade dos 20 e poucos alguns comportamentos se tornam patéticos. Temos medo de arriscar, por que lidar com erros e fracassos nessa altura da vida já não é mais tão simples. Vivemos podados pelas regras da sociedade. As pessoas esperam que a gente termine a universidade, arrume um bom emprego, case, tenha filhos... No entanto, tudo o que queremos é poder fazer as coisas que fazíamos antes, sem nos preocupar tanto com o amanhã. Só temos uma vida. Devemos sonhar. Arriscar. Viver de modo a ser feliz.



Parafraseando Clarice Lispector: “Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz”.

sábado, 2 de julho de 2016

A GERAÇÃO DE MULHERES INAMORÁVEIS!


Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoraveis, e eu sou uma delas”…Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por que? A observei enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens… Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la… Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e comprimento todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pró morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança
E na minha cabeça só ecoava: inamorável.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar no assunto… Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário. Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse: – Olhe ao seu redor, estamos já a um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar. Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos, realmente não fazemos parte disso, entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos, somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe, ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes. Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está redor enquanto procuram alguém no tinder. E eu me importo? Não mais. Sou inamoravel por que não me importo com nada disso.. Nenhum desse status, não ,e importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos beatles por que é importante para ela mesmo eu detestando a banda. Por que eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoraveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela.

Texto de: Akasha Licourt

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Intolerância à frustração


Como lidar com o fracasso no atual cenário em que vivemos? lidar com os fracassos do dia-a-dia tem sido cada vez mais difícil e é justamente essa falta de sucesso e sentimento de impotência perante determinadas situações que faz brotar a resposta disfuncional, que é o desenvolvimento da emoção negativa da frustração. Tal emoção é percebida como uma das mais comuns dos seres humanos e assim como qualquer outro sentimento, deve ser conduzido e trabalhado de maneira positiva, de modo que sejamos capazes de enfrentar os problemas decorrentes do dia-a-dia sem que isso afete nosso estado de ânimo.
Muitas vezes, por apresentarmos uma percepção distorcida da realidade, tendemos a ver somente o lado negativo de cada situação. Além disso, estamos sempre em busca de manter o controle sobre todos os acontecimentos de nossa vida, e quando nos deparamos com a incapacidade desse controle, surge o sentimento de desanimo, acompanhado pela frustração do insucesso. Precisamos aprender que lidar com uma situação de frustração não significa, necessariamente, que fracassamos em tudo. Desenvolver a tolerância a frustração compreende um processo contínuo de aprendizagem e deve ter seu inicio na infância, perdurando por toda a vida. Com isso, conseguimos procurar soluções mais adequadas para o manejo das situações conflitivas e assim, apresentar um maior leque respostas adaptativas nas circunstancias das quais teremos que lidar com a frustração. 

domingo, 11 de outubro de 2015

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu..."...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e,  se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.


Ricardo Labatt

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Namore uma garota que lê!



Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos. Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas. Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice. É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo. Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo. Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype. Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas. Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sou oficialmente uma chata

Domino a arte de irritar as pessoas e normalmente sou muito crítica em minhas opiniões. As pessoas não gostam de ouvir criticas, querem ouvir coisas boas e divertidas a respeito de tudo o que fazem e/ou deixam de fazer. Por isso sou considerada chata quando me posiciono frente a determinada questão. 
 Não gosto de todos os lugares e nem de todas as músicas. Os meus amigos chamam isso de chatice, eu chamo de seletividade ambiental e musicalista. Costumo ser mandona. As coisas tem que ser do meu jeito ou não tem jeito. Gosto de contestar opiniões sobre o mundo e as coisas e defendo os meus argumentos até o fim. Dificilmente alguém me convence do contrario. A parte ruim da coisa é que sou tida como “a do contra, a teimosa e cabeça dura”. O lado bom é que se eu estou errada, alguém vai me convencer disso. Resta saber se a pessoa vai ter paciência de chegar a tal fato.
Não consigo disfarçar meu humor. Se eu gosto ou não de alguém ou de alguma coisa, minha expressão irá me entregar facilmente. Uns chamam isso de honestidade e transparência, outros chamam de chatice. Vai saber o que é, né?! Talvez uma pitada de cada.
Tem dias que amo sair de casa, ver pessoas, conversar com estranhos, pegar sol, ir para aquele barzinho bacana à noite, rir muito. No entanto, na maioria das vezes eu prefiro um programa caseiro, ler um livro, assistir um drama, ou somente jogar conversa fora com meus amigos. Junta a chatice de todo mundo e é diversão garantida. Esses são os melhores momentos pra mim.
E agora, finalizando essa breve reflexão, me dou conta que gosto de ser chata. Gosto mesmo. Isso faz parte de quem eu sou, do meu eu. E ai que eu descubro que quero continuar a ser chata. Não quero viver uma vida onde eu tenha que agradar a todos, ser simpática, legal e delicada. Aqueles que são meus amigos vão continuar gostando de mim, mesmo sabendo que eu sou aquela que nem sempre vai querer ir para prévia de carnaval ou nem sempre está disposta a enfrentar um rodízio de pizza (quase nunca). Mas amigos são assim. Sempre haverá outros dias, e outros lugares, e outros sorrisos.

Parafraseando Mario Quintana “Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e os amigos, que são os nossos chatos prediletos.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Balada de um amor inabalável

O sol que entrava pela janela a fez piscar. Que bela dor de cabeça estava sentido. Será que tudo aquilo tinha sido um sonho ou ela realmente fez o que fez? Olhou ao redor e se deu conta que estava de volta ao seu antigo apartamento. Então de fato ela estava no Brasil. Tentou se levantar, mas a dor de cabeça não permitiu. Pensou: ‘Ok, vamos lá, lembranças de ontem... Vinho, vinho, cartas, mais vinho. Oh não, não. Eu não fui a casa dele, fui?’
O celular vibrou na cabeceira ao lado com  uma música estridentemente animada. Isso a fez ter vontade de quebra-lo. Olhou o visor: Número desconhecido. Com o mau humor de uma noite de porre, atendeu: “Alô?”.
A voz do outro lado era familiar e parecia bastante zangada: “Porra Bárbara, que diabos foi aquilo?”.
E isso instantaneamente fez sua dor de cabeça se elevar em uns 10 graus. Ela se levantou e lentamente procurou por algum remédio para dor de cabeça na sua bolsa.
“Fernando? Como você conseguiu meu número?” perguntou enquanto tomava o remédio e se deitava novamente.
“Isso não importa. Tenho meus contatos. Eu só quero entender o que aconteceu ontem. Do nada você aparece na minha porta, sem avisar, anos depois de simplesmente me mandar ir pro inferno. E eu tenho que te informar que eu fui mesmo”.
“Foram 3 anos” disse ela calmamente.
“3 anos” ele ri sem achar muita graça. “Por que apareceu agora?”
“Eu não sei. Eu só estava aqui ontem, bebendo vinho, e fui ler as cartas que você me mandava, daí tudo que me lembro vagamente é de estar na frente de sua casa, com você parado olhando pra mim com aquela expressão que ainda me assusta.”
“Depois de tanto tempo sem atender minhas ligações, sem mandar carta ou responder uma mensagem. O que você esperava?”
“Eu não sei, eu não pensei muito no caso” disse ela confusa.
Ele suspira. “Quando você chegou?”
“Ontem mesmo. Olha, eu não queria ter feito isso, me desculpa. Não vai voltar a acontecer. Eu vou viajar novamente na semana que vem, me desculpa... ”
“Espera, então vai ser assim de novo? Você vai fugir com medo de mim sem dar explicações?”
“Não é de você que eu tinha medo. Era do que eu sentia por você. Eu sei que faz muito tempo, sei que não tem mais como voltar. Mas saiba que eu nunca esqueci você. Eu tentei, Deus é prova de que eu tentei, mas não deu. Por isso voltei, por isso resolvi dar minha cara a tapa e ir te procurar. E que bela tapa que eu levei ne?!”
“E que motivos você teria para ter medo do sentimento que tinha por mim?”
“Eu não sei, achava que se ficasse aqui ia me acomodar. Você me conhece, eu sempre tive sonho de fazer doutorado fora, e ficar aqui ia ser muito pouco pra mim. Eu não podia te obrigar a me esperar todo esse tempo.”
“Isso explica muita coisa. Mas teria sido melhor te esperar do que viver o inferno que eu vivi.”
“Mas você superou. Isso que importa. Agora eu vou te deixar seguir sua vida. Achei que, sei lá, por um momento achei que talvez pudesse ser como antes. Mas foi loucura, eu tinha bebido, me desculpa, sei que agora tudo mudou, tem outros planos. Enfim, se cuida”.
“Espera, do que você esta falando?”
“De tudo, de tantos anos sem contato, de pessoas que conhecemos nesse tempo. Da vida que construímos um longe do outro. Foi um erro, eu sei. E não tem mais volta”.
Ele permanece calado por um tempo e solta um longo suspiro.
“Olha, eu não devia ter feito isso, aparecido do nada, me desculpa de verda...”
Antes que ela terminasse de falar, ele pergunta: “Vamos tomar um chocolate quente e conversar sobre isso pessoalmente?”
Isso a pegou de surpresa, mas não teve como rejeitar. Foi como se borboletas brotassem no seu estomago. Aquela sensação de ansiedade que há tempos não sentia voltou e isso a fez sorrir largamente. E um fio de esperança surgiu...
“Claro”.
“Certo, no lugar de sempre. Passo ai as 18:00. Tchau”.
“Tchau”.
Então é isso. Eles iriam se ver, e dessa vez ela não iria fugir. Ela não deixaria o medo tomar conta da situação. Talvez até pudesse falar de como havia sido esses últimos anos. De como ele fez falta. Como o sorriso dele te dava forças todo esse tempo e fez com que ela não desistisse. Como sonhar com ele toda noite era o que a fazia sair da cama todo dia e se sentir viva. E de como havia voltado por ele e para ele.
O dia passou tão devagar, era como se as horas se arrastassem. O nervosismo e a ansiedade eram típicos de uma adolescente apaixonada. Era assim que sempre se sentia quando o assunto era Ele. A verdade era que ela mal podia esperar para revê-lo. Ainda não sabia o que falar, não queria assusta-lo, mas sentia tanta falta dele. Queria poder voltar no tempo e ter feito às coisas diferentes. Mas era muito nova e insegura. Agora sabe que o que fez foi de fato errado. E estava de volta para concertar.
As 18:00 horas estava pronta. Provou todas as roupas que tinha, não estava mais acostumada a encontros. Ele havia sido o único cara com quem namorou. Como sempre pontual, ele tocou a campainha na hora marcada. Quando ela abriu a porta, lá estava ele. Exatamente como ela lembrava.  E aquele cheiro familiar invadiu os seus sentidos. E ela sorriu.
“Nossa, você está linda”. Disse ele.
“Acho que a impressão que te dei ontem não foi das melhores” Ela riu sem graça. “Ainda usa o mesmo perfume?” – Perguntou.
“Você sabe, me apego às coisas” Sorriu. “Vamos?”
“Claro”
E saíram. O caminho era muito familiar. Tudo ali era familiar. O cheiro, as ruas, o sentimento. Não sabia como conseguiu ficar esse tempo todo longe. Mas voltou para ficar.
“Chegamos. O bom e velho chocolate da Nancy. Aposto que lá na Espanha você não tinha um desses”. Ele disse, divertido,
“Realmente, ninguém consegue superar a Nancy, você sabe... Voltei por ela” E os dois riram.
Caminharam até uma mesa mais afastada, no ambiente estava tocando sucessos da banda Skank, e aquele cheiro de chocolate com canela fez sua boca salivar. Só para matar a saudade, pediram a especialidade da casa. Ao sentarem, ela o encarou, tomando coragem para falar.
“Olha, eu sei que demorei muito pra voltar...”
“Fico feliz que você tenha volta...” – Falaram ao mesmo tempo. E riram.
“Me deixa começar” – ela pediu. “Tenho muita coisa pra falar. E se eu não falar logo, posso não lembrar de tudo. Eu sei que eu fui uma imatura, que não pensei em nos quando tomei a decisão de ir embora. Eu sei o que você passou, pois toda noite eu chorava pensando em você. Mas foi sonhar com você todo dia que me deu forças para continuar lá. Eu sei que eu arrisquei muito em ter feito isso, sumido. Mas era a única maneira que eu via de conseguir me manter lá. E eu sei que passou muito tempo, mas eu voltei por isso. Por você, pois nos. Sei que pode ser tarde, mas eu precisava arriscar” – Falou de uma vez.
“Olha Babi, eu sofri como um condenado aqui. E eu estava começado a superar agora. Eu realmente não esperava te encontrar na minha porta ontem. E sem me avisar. Eu não soube como reagir. Tentei te odiar esse tempo todo, mas não consegui. Quando eu te vi ontem, só pensei em como eu sofri, no que você fez comigo. Nas noites mal dormidas. Foi como se tudo tivesse voltado ontem. Me desculpa por ter agido daquele jeito. Eu não queria ter te mandado embora daquele jeito. Eu só não sabia o que fazer. Eu te esperei esse tempo todo, inconscientemente. Não conseguia me apegar com ninguém, te comparava com as garotas que eu te conhecia. Foram tempos difíceis, não é como se eu conseguisse apagar, entende? Por isso reagi tão mal ontem. Mas peço desculpas pela maneira que falei contigo.” Disse, enquanto encarava suas mãos.
“Eu sei e te entendo. Só não me peça para não tentar concertar tudo isso.” – disse, com os olhos marejados, enquanto evitava olhar nos olhos dele. Encarava apenas a sua caneca de chocolate quente.
“Eu não pediria isso, pois estaria me enganando também” – Ele a encarou sério. E ela sentiu uma chama se reacendendo em seu peito. Sabia que seria difícil. Mas também sabia que valeria a pena.
“Não vou propor que passemos uma borracha e comecemos do zero. Pois cada momento que eu vivi com você me fez ser a pessoa que sou hoje. Só peço que me deixe ganhar espaço novamente” – Pediu ela.
“Espaço esse que você nunca perdeu. Sempre foi você Barbara.” – Afirmou ele enquanto se levantava e ia até o seu lado. Pegou a mão dela para que se levantasse, e a beijou ali mesmo, um beijo de saudade e muito sentimento envolvido. Um beijo ao som de ‘Balada de um amor inabalável’”. E nada a fez mais feliz como aquele momento.

“Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim. Toque a balada, seja antes ou depois, eterna Love Song de nós dois. Leva essa canção de amor dançante, pra você lembrar de mim, seu coração lembrar de mim”