
sábado, 8 de outubro de 2011
Enquanto isso, na biblioteca...

quinta-feira, 21 de julho de 2011
Martha Medeiros

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
Arnaldo Jabor

segunda-feira, 30 de maio de 2011
Uma verdade inventada

Era apenas mais uma das noites chuvosas. Eu estava só, com meus desvaneios e minha fértil imaginação. Criar historia era meu passatempo favorito, principalmente quando não tinha nada pra fazer e eu me encontrava sozinha em casa, numa noite chuvosa.
Não há nada melhor do que poder viajar apenas com a imaginação. Ser levada para outros lugares, outras épocas, e tornar tudo aquilo que é um sonho, em uma momentânea realidade imaginária.
Oras, ao menos uma vez ao dia, devemos criar uma fantasia na qual nos permitimos nos liberar de todos os compromissos e obrigações e nos dedicarmos somente a nos mesmos e a realização de nossos desejos.
Acredito que mesmo inconscientemente, todo mundo já fez isso alguma vez na vida. Ou seria eu, a única que, não podendo viver, crio uma realidade inventada?
Apelidos como “cabeça de vento” e afins, são o que mais recebemos por isso, mas quem se importa com os outros, não é mesmo?! “Deixe que digam, que pensem, que falem...”
Quero mesmo é me libertar das limitações, poder viajar nos pensamentos, inventar historias, criar dimensões fictícias...
Quero criar minha própria verdade, ou como diria Clarice Lispector, “não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.”
Fragmentos...

terça-feira, 12 de abril de 2011
Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Rita Apoena
— E você, por que desvia o olhar?(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Romeu e Julieta

Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor ?
São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo,se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno ?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades
que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora.
Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada
motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu, fumando um cigarro atrás do outro,ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas.
Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta).
Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estria e celulite e histérica com muita coisa para fazer.
Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém.
Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro.
Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.
Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta.
Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.
Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.
Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela.
Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas.
Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.
Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta.
Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.
Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando-a sem saber onde enfiar a cara de vergonha.
Por estas e outras que eles morreram se amando.
Martha Medeiros
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Era você

Tenho uma história Pra te revelar. Um segredo que eu não posso mais guardar. Tente ouvir prestando muita atenção. Só te peço que não se assuste.
Antes de te conhecer eu já te amei, antes de te amar eu já me apaixonei, sofri tão calada, guardei as palavras entre o medo e a verdade.
Eu te olhava e você não me via. Falava o tempo todo de você e você não sabia.
Pesquisei seu endereço e um presente te mandei, com um cartão anônimo escrito "Te amei".
No dia seguinte quis me aproximar, peguei o ônibus que você iria pegar.
Na próxima parada você embarcou e como olhar apaixonante você me olhou.
Era você, o menino dos meus sonhos que eu me apaixonei.
O menino que o presente e o cartão eu mandei pra anunciar que era amado mesmo sem saber. Admirado muito antes de te conhecer.
Me perdoe esse tempo todo sem falar, bem antes de te conhecer você vivia a vagar nos meus porões e nos pensamentos meus.
Até que um dia dentro do ônibus aconteceu e as nossas vidas se encontraram.
Obrigado, meu Deus!
Adaptação: Era Você - Willian Nascimento
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Caio F. Abreu
Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Bons Amigos
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.
Machado de Assis
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Devolva-me
Queria entender como você entrou na minha vida e me roubou uma coisa que eu sequer sabia que poderia ser roubado.Você chegou, se fez de amigo e companheiro, ficando comigo nas horas boas e ruins e então, com uma agilidade digna de um ladrão, me roubou. Já não bastasse me roubar ainda continua agindo como se nada tivesse acontecido. Me ligando tarde da noite pra me contar como foi se dia, mandando torpedos dizendo que está com saudades e pra piorar a situação, sempre que pode aparece aqui de surpresa. Não é a toa que me roubou sem que eu nem percebesse. Ficamos muito próximos, você com seu jeito todo respeitador, com esse charme todo que eu nem sei de onde veio e pra completar ainda me lança esse sorriso torto que me faz perder o ar, isso tudo sem mencionar suas piscadelas. Você é mesmo um ladrão e tanto...
Antes de qualquer coisa, eu queria saber por que eu? Dentre tantas pessoas para roubar, porque me escolhesse?! Talvez eu fosse um alvo fácil ou talvez eu seja realmente especial, como você sempre fala...
Ah! Tenho uma coisa pra te pedir, se estiver disposto a fazer uma negociação, eu troco qualquer coisa... Pode ser aquele cd de rock que você tanto gosta e que sempre ouve quando vem aqui, aquele perfume que tanto adora, ou ate mesmo minha caneca preferida onde tem escrito “I Love NY” , na qual você faz questão de tomar café. Tanto faz, escolha.
Só quero que me devolva meu coração!
domingo, 30 de janeiro de 2011
Pessoas mudam e promessas são quebradas

Um dia você vai perceber que eu realmente sou uma pessoa que vale a pena, que sou diferente das outras pessoas que você se relacionou. Então você vai dizer que sente muito por não ter me valorizado e que sempre me amou e que me quer de volta.
E eu não vou estar mais te ouvindo, nem sequer lembrarei mais de suas falsas promessas. Irei dizer que você demorou demais pra perceber isso e que agora é tarde demais. E que aquelas promessas feitas por mim foram quebradas pelo tempo e deixadas para trás assim como todo o sentimento que me unia a você.
Você certamente vai me abraçar, pedindo desculpas e dizendo que tudo ficará bem, como você sempre faz.
Eu irei sorrir e falar que sim, que tudo ficará bem e que assim como você, eu também mudei. Então eu poderei ir embora sem olhar pra trás e essa despedida não vai me magoar...
Porque o tempo passa, as pessoas mudam e as promessas são quebradas.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Decifrar o indecifrável

Juntos por um mesmo sentimento, uma mesma emoção, uma certeza!
A certeza de que pode não ser agora, nem hoje, tampouco amanha, mas no final valerá à pena. Tanto tempo imaginando, será que é mesmo real?
Como poderemos saber? Como explicar algo que ainda não foi vivido? Como decifrar o que esta por trás daquele olhar, se nunca o olhei de verdade?
Seria tolice falar que não existe algo. Existe, é grande, e me assusta, pois ao mesmo tempo em que conheço, desconheço por completo.
Aquela lembrança que não ficou, aquele cheiro que não marcou, o toque que não foi sentido... Apenas relatos, conversas, sonhos... Ah, os sonhos!
Como falar de uma coisa que você não conhece, tampouco já viu?!
É um sentimento difícil de explicar, aquela vontade de estar junto, de rir, de sentir, de falar. É o toque, o cheiro, o calor... ’é um contentamento descontente’, uma ‘borboleta sem asas’.
É tudo e é nada.


