segunda-feira, 30 de maio de 2011

Uma verdade inventada


Era apenas mais uma das noites chuvosas. Eu estava só, com meus desvaneios e minha fértil imaginação. Criar historia era meu passatempo favorito, principalmente quando não tinha nada pra fazer e eu me encontrava sozinha em casa, numa noite chuvosa.
Não há nada melhor do que poder viajar apenas com a imaginação. Ser levada para outros lugares, outras épocas, e tornar tudo aquilo que é um sonho, em uma momentânea realidade imaginária.
Oras, ao menos uma vez ao dia, devemos criar uma fantasia na qual nos permitimos nos liberar de todos os compromissos e obrigações e nos dedicarmos somente a nos mesmos e a realização de nossos desejos.
Acredito que mesmo inconscientemente, todo mundo já fez isso alguma vez na vida. Ou seria eu, a única que, não podendo viver, crio uma realidade inventada?
Apelidos como “cabeça de vento” e afins, são o que mais recebemos por isso, mas quem se importa com os outros, não é mesmo?! “Deixe que digam, que pensem, que falem...”
Quero mesmo é me libertar das limitações, poder viajar nos pensamentos, inventar historias, criar dimensões fictícias...
Quero criar minha própria verdade, ou como diria Clarice Lispector, “não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.”

Fragmentos...


Hoje é domingo de manhã. Está fazendo um dia de sol. A praia estava cheia de vento bom e de uma liberdade. E eu estava só. Sem precisar de ninguém . È difícil porque preciso repartir contigo o que sinto . O mar calmo. Mas a espreita e em suspeita. Como se tal calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer. O imprevisto improvisado e fatal me fascina. Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo. Você tornou-se um eu. É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silencio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes. Tais momentos são meu segredo. Ouve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.