O despertador marcava pouco mais
de 2 horas da manhã. Até agora não conseguira dormir. Pensava que deveria ligar
pra ele e falar que sentia saudade. Muita saudade. Que todo aquele tempo longe só
serviu para ela ter certeza que era ele que ela amava. Olhou o visou do
celular, na tentativa de criar coragem. Sabia que muita coisa havia mudado e
que ele tinha seguido em frente como ela havia aconselhado anteriormente. Mas ela
não tinha seguido em frente. Tentou conhecer outras pessoas, tentou curtir a
vida longe dele e de todo aquele sentimento. Por vezes achava que tinha
conseguido superar. Mas era sua lembrança que te fazia perder as noites de
sono. Era o cheiro amadeirado do seu perfume que fez falta no travesseiro nas
noites frias de chuva. Sentia falta daquele psiciano sensível e sonhador, que a
fazia acreditar em destinos e amor a primeira vista. Queria ter coragem para
discar o número dele e falar tudo o que tinha guardado durante esses últimos meses.
Sabia que estava se tornando nocivo para ela guardar tudo aquilo. No entanto,
tudo o que fez foi abrir mais uma garrafa de vinho e colocar para tocar a
música tema do romance deles, como ele carinhosamente havia batizado. A música “Oh, Darling- The Beatles” embalava mais
uma vez aquela noite triste. E ela conseguia imaginar ele cantando em seu
ouviu. Mal sabia ele o quanto agora a estava machucando. Só conseguia pensar em
como queria que parasse de doer. E quanto tempo ia passar pra deixar de sentir.
“Oh, Darling. Please believe me, i'll never do you no harm. Believe me
when I tell you. I'll never do you no harm”.
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