Enquanto o sol se escondia,
eles ficavam lá, sentados na areia deixando o tempo passar. E passava rápido.
Apesar de terem muita coisa pra falar, eles não se encaravam, optando por só curtir
a presença um do outro. A noite já começava a aparecer e sem a menor pressa de
ir embora, observavam as primeiras estrelas no céu. A noite prometia ser linda,
com uma lua grande e brilhante. Ele abruptamente se levanta e a convida a fazer
o mesmo, que faz cara feia, ao ter que abandonar seu confortável lugar. Eles
eram melhores amigos há muito tempo. E há muito tempo gostavam. Porém, o medo
de estragar a amizade impedida os dois de falar alguma coisa. Mas guardar esse
sentimento não estava sendo bom pra nenhum. Começaram a caminhar perto da água,
molhando os pés descalços, vez ou outra os olhares se cruzando. De repente, ele
parou, e a segurou pela mão, fazendo com que ela ficasse de frente pra ele.
Olhou para ele surpreendida, e quando pensou em falar algo, ele a beijou,
timidamente, e seu coração ficou acelerado. Ela foi pega de surpresa, e
permaneceu parada por algum tempo. Ele vagarosamente se separa dela e a observa
com um olhar interrogativo, se perguntando em o que estaria pensando. Olha pra
baixo, desolado, achando que estragou tudo. Ela levanta a mão, e acaricia o
rosto dele, que volta a encara-la. Então ela sorri. Aquele sorriso que ele
tanto adorava. E já não precisava falar nada. O sentimento é mútuo e a
compreensão também. Ela se aproxima dele, joga os braços em torno do seu
pescoço, fica de ponta de pé, e sussurra em seu ouvido: ‘esperei a vida inteira
por isso’. Então, eles se beijam, só com a lua como testemunha.

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