A
palavra se deriva de Lauqa (loco, em Árabe ‘tonto, bobo, tolo). Para a
Psicologia a loucura é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Ao longo da historia,
a loucura foi vista de diferentes formas. Antes da cultura grega, era tida como
alguma forma de magia, feitiço. Depois, o Cristianismo veio falar era uma
manifestação da raiva divina. Santo Agostinho dedicou-se a observação de que a
doença mental era consequência do pecado. Na idade média, as doenças mentais voltam
ao reino do sobrenatural e as terapias consistiam em exorcismo para livrar o
corpo de espíritos malignos. Hipócrates foi o primeiro
a ver a loucura de uma forma orgânica. Foi o primeiro a descrever que a loucura
vinha do cérebro. Com o intuito de separar as pessoas ditas normais dos
‘loucos’, houve a criação do Hospital Geral (Paris, 1656), que se relacionava
mais ao combate à mendicância do que à ocupação dos internos. Durante muito
tempo, depois da invenção do internamento, os loucos tiveram a mesma sorte de
todos os libertos. Porém, começam a surgir protestos contra esta situação.
Protestos estes dirigidos contra a mistura feita entre os loucos e os não
loucos e não contra a relação entre loucos e o internamento. Foucault
defendia a ideia de que esses asilos psiquiátricos não tinham funções
curativas, eles queriam a eliminação dessas pessoas da sociedade. Eram recolhidos das ruas por espontânea vontade,
alojados e alimentados e também encaminhados pelas autoridades judiciárias.
Segundo Foucault (1978), o Hospital Geral não é um estabelecimento médico, é
antes uma estrutura semijurídica, uma espécie de entidade administrativa que,
ao lado dos poderes já constituídos, e além dos tribunais, decide, julga e
executa. Então, o internamento torna-se lugar de cura, não com função de
repressão, mas como meio que organiza a liberdade. A casa de internamento vai
transformar-se em asilo. A loucura torna-se objeto médico: ganha o valor de
doença. Na França, as técnicas empregadas por Philipe
Pinel, construíram em torno dos loucos um círculo invisível de julgamentos
morais. A grande tarefa dos asilos era homogeneizar todas as diferenças, extinguir
as irregularidades e denunciar tudo aquilo que se opõe às virtudes da
sociedade. Com a separação da sociedade, o asilo garante à racionalidade
burguesa uma universalidade de fato e o louco toma consciência de seu ser de
"doente". A partir dai, surgem diversos movimentos contra o
internamento dos loucos, como o Movimento dos
Trabalhadores de Saúde Mental (1986), onde
suas principais reivindicações eram a conquista por melhores condições de
trabalho nos manicômios e o Movimento
Antimanicomial (1987), que tem como objetivo a conquista de uma cidadania
plena, emancipada, tendo como base a ideia de que todos os membros da sociedade
devem ser moralmente responsáveis. Após a reforma psiquiátrica a sociedade
passou a repensar o destino dado aos cidadãos ditos "loucos".
Contudo, fazer com que o doente mental fique apenas confinado não é um
tratamento eficaz. O confinamento por si só, acaba por excluir o indivíduo do
meio social, que é indispensável para todos nós, seres sociais, incluindo
aqueles que são portadores de algum sofrimento mental.

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