quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Historia da loucura


A palavra se deriva de Lauqa (loco, em Árabe ‘tonto, bobo, tolo). Para a Psicologia a loucura é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Ao longo da historia, a loucura foi vista de diferentes formas. Antes da cultura grega, era tida como alguma forma de magia, feitiço. Depois, o Cristianismo veio falar era uma manifestação da raiva divina. Santo Agostinho dedicou-se a observação de que a doença mental era consequência do pecado. Na idade média, as doenças mentais voltam ao reino do sobrenatural e as terapias consistiam em exorcismo para livrar o corpo de espíritos malignos. Hipócrates foi o primeiro a ver a loucura de uma forma orgânica. Foi o primeiro a descrever que a loucura vinha do cérebro. Com o intuito de separar as pessoas ditas normais dos ‘loucos’, houve a criação do Hospital Geral (Paris, 1656), que se relacionava mais ao combate à mendicância do que à ocupação dos internos. Durante muito tempo, depois da invenção do internamento, os loucos tiveram a mesma sorte de todos os libertos. Porém, começam a surgir protestos contra esta situação. Protestos estes dirigidos contra a mistura feita entre os loucos e os não loucos e não contra a relação entre loucos e o internamento. Foucault defendia a ideia de que esses asilos psiquiátricos não tinham funções curativas, eles queriam a eliminação dessas pessoas da sociedade. Eram recolhidos das ruas por espontânea vontade, alojados e alimentados e também encaminhados pelas autoridades judiciárias. Segundo Foucault (1978), o Hospital Geral não é um estabelecimento médico, é antes uma estrutura semijurídica, uma espécie de entidade administrativa que, ao lado dos poderes já constituídos, e além dos tribunais, decide, julga e executa. Então, o internamento torna-se lugar de cura, não com função de repressão, mas como meio que organiza a liberdade. A casa de internamento vai transformar-se em asilo. A loucura torna-se objeto médico: ganha o valor de doença. Na França, as técnicas empregadas por Philipe Pinel, construíram em torno dos loucos um círculo invisível de julgamentos morais. A grande tarefa dos asilos era homogeneizar todas as diferenças, extinguir as irregularidades e denunciar tudo aquilo que se opõe às virtudes da sociedade. Com a separação da sociedade, o asilo garante à racionalidade burguesa uma universalidade de fato e o louco toma consciência de seu ser de "doente". A partir dai, surgem diversos movimentos contra o internamento dos loucos, como o Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental (1986), onde suas principais reivindicações eram a conquista por melhores condições de trabalho nos manicômios e o Movimento Antimanicomial (1987), que tem como objetivo a conquista de uma cidadania plena, emancipada, tendo como base a ideia de que todos os membros da sociedade devem ser moralmente responsáveis. Após a reforma psiquiátrica a sociedade passou a repensar o destino dado aos cidadãos ditos "loucos". Contudo, fazer com que o doente mental fique apenas confinado não é um tratamento eficaz. O confinamento por si só, acaba por excluir o indivíduo do meio social, que é indispensável para todos nós, seres sociais, incluindo aqueles que são portadores de algum sofrimento mental.

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